Confesso que eu tinha desanimado de escrever no blog. E embora tivesse atualizado minha listinha de clientes (fica na minha prancheta cara a cara comigo no home office) e suas histórias que gosto de contar, seguindo fielmente, vejo que cada vez mais as pessoas perdem o interesse pela leitura e buscam pelo imediato, pelos vídeos. Aliás, sou contra esse excesso e imediatismo. Acho chato, piegas, poucos eu vejo que realmente julgo legal. Nada originais, na maioria é “bom diaaaa”, “oi genteeee”, “oi pessoaaaal” aff, não aguento isso e vai ser difícil me verem fazendo vídeos nesse formato. Enfim, isso é uma outra questão que não cabe aqui agora não!

Sou colunista num outro blog, o da Ana da A Casa da Vó para os íntimos, ou A Casa Que Minha Avó Queria. Um blog muito bem conceituado de decoração e DIY. Além de ser seguidora e fã desde o tempo que esse blog inaugurou, sou apaixonada pela Ana e suas ideias, sua criatividade e a fala rasgada de quem sabe que viver não é nada fácil e que maternidade nem sempre é glamour. Amo e acompanho sua trajetória e de seguidora, virei colunista. Orgulho! Bem, se eu escrevo no blog dela, porque não seguiria com meu próprio blog? Então outro dia eu vi um comentário da própria Ana pedindo para não deixar os blogs morrerem. Aff, foi broxante! Eu cai na real de que os blogs estão com um pé na cova. Será? Bem, então enquanto eles não morrem e tiver uma única pessoa pra ler, eu vou escrever, certo? Sim, escrever, escrever, escrever, acho que amo mais do que ler. Larguei a broxação de lado, fiz o post mensal para o blog dela e tô aqui escrevendo o meu, seguindo minha listinha de clientes, parada desde outubro do ano passado. E olha que tem histórias legais hein?

Aí, abro meu e-mail agora e recebo um, lindo, cheio de amor, de uma brasileira que mora em Portugal e que ama o blog. Sinal do universo né? A quem chamo de Deus! Enfim, ela me pediu um orçamento mas fez mil elogios ao blog e daquelas fãs que curtem mesmo, aliás, chegou até mim por ele! Animei!

Então, vou contar a história da filha dessa cliente amadíssima, e eu já contei a história dela aqui, pois já organizamos diversas vezes a casa e mudanças dela, duas vezes a casa do filho, a empresa da família, o barco novo e até a casa da sobrinha já fizemos, ah e ela deu de presente de casamento para a filha de uma amiga, a organização da cozinha e louceiro, enfim, ela não nos larga nunca mais e vice versa!
A filha caçula, alçou vôo e em ordem foram voando, primeiro o mais velho que casou e foi morar na Europa, depois o do meio, que casou no meio do ano passado e nós fizemos a mudança pro AP novo, mas já tinhamos feito a transição dele da casa dos pais para um apezinho lindo alguns quarteirões dali, já contado no blog anteriormente, e agora, a mudança da caçula, que mudou para o apartamento que o irmão do meio morava antes de casar. Entenderam? O AP tava todo bonitinho, reformadinho, marcenaria nova e um closet que cabia tudo o que ela tinha. Um espetáculo pra quem tá começando a vida, saindo da casa dos pais.

Essa menina é um espetáculo! Centrada, objetiva, fala pouco e sabe o que quer. Cliente assim facilita a nossa vida, porque quando o cliente sabe exatamente o que quer, tudo fica mais rápido, melhor ainda, é quando ela não sabe e delega, nos deixando produzir, aí é correr para o abraço. Ela é assim. E agendou um dia somente com diária estendida, pra fazer o closet, a rouparia e os banheiros. Nada além. Como é a primeira experiência solo dela, tinha pouca coisa na rouparia. Muita coisa mesmo, somente no closet, mas já estava tudo desembalado pela FINK (uma viva para a melhor empresa de mudança que existe), o que encurtou nosso caminho. A cozinha e a sala ela mesma fez, sozinha, decorou e organizou do jeitinho dela com pouquíssimos palpites nossos. E a mãe dela passou o dia lá conosco, conversando enquanto trabalhávamos, matando as saudades e como sempre com lágrimas nos olhos, porque toda vez que a gente se encontra ela chora e diz que é muito grata por tudo que fazemos por ela e pela família dela. E o que dizer dessa cliente tão especial em relação à oportunidade de entrar na vida dela, dos filhos, da família, na intimidade e trazer o que fazemos de melhor, a organização? Realmente, só quem trabalha com amor entende o grau de envolvimento, e os laços que se constroem ao longo dos trabalhos, dos anos. É respeito mesmo e um certo grau de amor, afirmo.


E assim, em apenas um dia, 12 horas de trabalho, e com uma assistente, demos conta desses espaços, sem parar um minuto mas com um olhar de gratidão ao fim que enche os nossos corações e a certeza de que, no máximo daqui a dois anos, iremos voltar pra fazer outra mudança para um novo apartamento, maior e com espaço para mais um membro. Profético total! Quem sabe?

Beijos da menina do AO

Verônica Cavalcanti

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