Em 2013 ou 2014 organizamos a empresa desse cliente. Na verdade um lugar lindinho aqui pertinho da minha casa. Sabe aqueles lugares que vc passa na porta e não dá nada? Eu mesma já havia passado várias vezes na porta e não imaginava o que havia lá dentro. Parecia um portal minha gente. Estilo Nárnia, sabe? Um escritório de designer com uma mesa com ombrelone no meio, uma área de lazer infiltrada no meio de várias salas. Sensacional! Foi um trabalho que eu jamais esqueci e que me permitiu realizar meu sonho em matéria de organização de livros: organizá-los por cor da lombada. Saudades desse projeto viu? Foi especial.

Então, alguns bons anos depois, a mulher desse cliente me liga pedindo um orçamento. Mais que isso, pedindo pra reservar a data pois estava se mudando e o preço pouco interessava, ela queria era a tal data. Metade do caminho andado, mas ainda assim, eu precisava fazer essa avaliação in loco pra entender como seria essa mudança, que estrutura eu ia precisar levar, o que eu precisaria providenciar, etc etc etc… a rotina habitué de sempre.

Abrindo um parênteses, fico bege com quem dá orçamento por whatsaap sem sequer ver o espaço. Pior do que dar orçamento é dar consultoria via whatsaap e prometer equacionar todos os problemas do cliente sem colocar a mão na massa. Como conseguem?

Voltando…fui lá conversar, entender, entrevistar, perceber, observar, tudo o que gosto de fazer numa avaliação quando tem um projeto assim. Digo isso, sobre orçar pelo wahtsaap porque se fosse no caso dessa mudança, a profissional, se é que isso é profissional, ia se dar muito mal. A mudança era de um AP linear grandinho para uma casa de quatro andares. Vai vendo. Me deu um estalo quinze dias antes desse trabalho começar. Isso e tô falando de um estalo no meio da madrugada. Sim, porque eu fico na adrenalina até dormindo, aff, isso não é normal! Sugeri à cliente que comprasse o gerenciamento da mudança. Eu não sugeri, eu praticamente intimei ela a comprar. Faria um preço especial, mas se ela não comprasse esse serviço, estaríamos ferradas, por que sabe o que iria acontecer? O pessoal da mudança ia entrar, encaixotar o velho apartamento linear e desovar tudo sem nenhum critério na sala da casa nova, que no caso, era no primeiro andar. E os demais andares? Quem iria levar?? Quem? Quem? Adivinha? Sim, ia sobrar pra minha equipe subir e descer caixa numa casa de quatro andares. Então, o marido nem argumentou e ela nem pensou duas vezes, entenderam o motivo e bateram o martelo. Assim, fiquei mais segura e tranquila e com um bom plano de logística traçado na cabeça.

A PRÉ-MUDANÇA aconteceu da melhor forma possível. Uma empresa de mudança pequena, desconhecida e que nem era lá essas coisas, vacilou no primeiro dia, enviando somente dois ajudantes, mas compensou no segundo com quatro e um quinto no caminhão. Em algumas poucas horas e com toda orientação possível, uma assistente do AO, o dia inteiro na cola da equipe de mudança marcando todas as caixas com os números 4, 3, 2 e 1, ou seja, os quatro andares da casa, deram conta de mais da metade do apartamento. Desta forma eu não correria o risco de nenhuma caixa parar em andar errado e ter um deslocamento desnecessário.

Foi perfeito! Um dia e meio embalando e na metade do segundo dia o caminhão já saiu com tudo! Corri na frente e como era para o mesmo bairro, quando ele chegou, lá estava eu esperando com bandinha de fanfarra na porta, brincadeirinha. Sabe que para estar na minha equipe e comigo não pode ter preguiça nem corpo mole, muito menos a galera da mudança. O caminhão apontou às 14h30. Às 17h eu já havia esvaziado todo ele e a sala estava montada com os móveis, porque a cliente é das minhas e saiu rasgando as embalagens, desembalando sofás e cadeiras e às 17h já tinha até arranjo lindo na mesa de jantar.

A estratégia do PÓS MUDANÇA consistiu em manter dois rapazes transportanto as caixas direto do caminhão até o último degrau para o segundo andar. Lá tinha um rapaz esperando, bem como no último degrau do terceiro. Assim ninguém ficou quebrado ao final do dia e ainda, todos juntos auxiliaram no içamento do sofá do home office. A prova de que, quem tem equipe comprometida, tudo acontece perfeito, a bola é redondinha.

No dia seguinte foi dia de começar a montar o apartamento. Era um sábado e a cliente ainda tinha um festa junina dos filhotes na escola. Ou seja, contaríamos pouco com ela para personalizar a organização. Com uma equipe de três, nos dividimos pelos andares. Eu na cozinha com a empregada da cliente me dando dicas do que era mais utilizado ou não, e mais uma assistente me ajudando a abrir as caixas, e uma outra assistente no quarto dos gêmeos no terceiro andar, montando armários e cômodas o mais rápido e urgente possível. O quarto de empregada, ainda ficou com uma baguncinha, pois dependíamos de recursos como caixas e outros demais que tivemos a ideia durante o processo. Como eu não ia perder esse tempo providenciando as compras para a cliente no meio de um processo de organização, optei por subir para o segundo andar onde havia muito por fazer. Simmmmm, subi para a brinquedoteca, um quarto inteiriiiiiinho, de uns 25 metros quadrados com estante de cabo a rabo vaziiiiiinha! Uma marcenaria obviamente para livros, mas que nas nossas mãos, ganhou uma nova função, abrigar todos os brinquedos e potencial criativo desses gêmeos. Ai como amo! Como isso é uma tarefa para a super Verônica, lá fui eu ficar enfiada nesse espaço sozinha num sábado de chuva inteiro. Mas o que sempre faço e isso me adianta horrores, eu coloco uma assistente só pra ir nos espaços antes de mim, abrindo caixas, para facilitar a minha vida e acelerar o processo. Então, quando cheguei nesse espaço, já estava tudo no chão, todos os brinquedos e conteúdo. Perfeito!

No segundo dia da organização pós mudança, ou seja, o domingo, a cliente que havia acordado cedo, já havia mexido na organização da cozinha e feito algumas alterações. Super normal sabendo que ela estava ausente quando esse trabalho foi feito, e pra mim, quando o cliente não está junto, fazer as alterações corre por conta e risco dele, se for do desejo. Não dá pra fazer e refazer a todo momento e ao longo de todo esse processo de mudança, mas se o cliente estiver em casa e for direcionando, ótimo, isso não me incomoda e mais assertiva seremos.
Enquanto a família relaxava na sala, no primeiro andar. No terceiro, rolava a finalização do armário das crianças e o banheiro deles. E uma outra assistente, já ia abrindo as caixas do quarto do casal, simultaneamente. No segundo andar eu continuava minha missão brinquedoteca, sozinha, selecionando brinquedos, encaixando pecinhas nas caixas, nos jogos ou outro lugar pertinente. Mudança tem que ser em toque de caixa, senão é muito tempo que se perde fazendo e refazendo, porque a casa tem vida própria e não pára enquanto organizamos, a não ser que o cliente viaje e entregue a chave em nossas mão, aí sim!

No terceiro dia, só contamos com duas na equipe porque eu estava em outro cliente finalizando a cozinha que na época em que a mudança foi feita, ainda não tinha sido instalada. Mas minhas meninas deram conta lindamente do banheiro da suíte e finalização do coset, cômodas e mesinhas de cabeceira.

Mas como sempre fica uma pendência, raras são as mudanças que eu afirmo categoricamente que finalizamos tudo, portanto, o quarto andar acontecerá alguma hora já que em pleno movimento de mudança, ele teve uma infiltração e a pintura teve que ser refeita. Também, atendendo a um pedido nosso junto com a indicação do profissional, vai nascer uma marcenaria sob medida para os muitos livros da família. Muitos mesmo, não dava pra ficar pensando num paliativo, e ter que rebolar na hora de organizar. Sugeri uma marcenaria linda como eles merecem e curtem. Eles compraram a ideia. Bingo! Então, vou ficar devendo fotinha desse espaço, mas prometo que assim que ele ficar pronto, publico, até porque quem cuida do setor livros, sou eu né?

Até a próxima amorecos, porque a terceira mudança a ser postada, será cansativa, aquela feita em um dia com ralação de 12 horas de trabalho e finalização perfeita para um casal que ia casar na semana seguinte. História linda. Depois conto.

Beijos e bom finde
Verônica Cavalcanti

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