Mais uma família que se manda para a Europa e deixa o Brasil pra trás! Pra nossa infelicidade, mas para felicidade deles. Não sei bem a história, mas até onde sei, tudo foi devidamente planejado, estudado, sonhado até que concretizado. O pedido de socorro veio através de uma grande amiga que temos em comum. Ela ficou responsável pelo esvaziamento e possível venda do apartamento. Então, nos acionou para fazer isso, usando critérios pré-estabelecidos pela cliente. Muitas coisas seriam doadas. Outras, doações específicas. Livros, roupas e memórias seriam classificados e seguiriam para um depósito.

O apartamento estava ainda com muitas coisas. Do tipo, armário de banheiro com todas os produtos dentro. Pela cobertura duplex, brinquedos espalhados por todos os espaços. A cozinha ficou pra trás, montada. Nos quartos, somente as roupas de verão ficaram, poucas bem verdade, para o potencial dos espaços, imagino eu. Mas no home office, Jesuiiiiiiss, ele ficou inteiro pra trás. Pastas com documentos, memórias, material de papelaria e livros, muuuuitos livros. Bem, para a cliente apresentamos duas propostas. Uma com a triagem de todo o conteúdo e obviamente, embalagem dos mesmos, e uma segunda proposta com tudo isso e mais a catalogação dos livros, que para eles era de suma importância. Obviamente, com valores diferenciados. Ela comprou a proposta dois, que incluía a catalogação dos livros.

O trabalho começou com força total e uma equipe de três pessoas. A primeira nós nos coordenamos numa força tarefa para esvaziar todo o apartamento. Fizemos uma triagem em tudo o que era significativo e que seguiria para o depósito, o resto, muitas coisas foram doadas para um casal com filhas gêmeas cuja casa havia pegado fogo na ocasião e perderam tudo. O que sobrou, seguiu para várias pessoas e instituições diferentes. Sei que, com as doações conseguimos montar uma cozinha inteira para o casal cuja casa incendiou. E uma boa cozinha, com tudo o que era necessário, inclusive eletrodomésticos. Essa pra mim é a melhor das sensações! Adoro quando o cliente delega a doação. Me dá carta branca. É tanta gente pra ajudar, e nesse caso, especificamente, veio à calhar uma situação desastrosa de uma família que eu nem conhecia mas vi pelas redes sociais e o marido da minha amiga, que coincidentemente os conhecia. Felicidade define, viu?

Para este trabalho, projetamos oito dias, lembrando que estava incluso a organização e catalogação de mais de mil livros. Que na verdade, eu achava que seria uns seiscentos, mas quando a gente colocou a mão na massa mesmo, descobrimos o que??? Adivinha??? Que existiam livros, atrás de livros. Sim, eu dei esse mole na hora de orçar. Na verdade, eu sempre pergunto ao cliente quando faço esse tipo de orçamento, mas como nesse caso, especificamente o orçamento foi feito com outra pessoa que não o próprio cliente. Esqueci. Completamente. Poderia ter perguntado pelo whatsaap, mas… A sorte, ou por competência mesmo, conseguimos cumprir prazo. Apertado, mas conseguimos. Gastamos quatro dias para desmontar todo esse duplex, bem grandinho por sinal. Encaixotamos tudo, de doação às coisas que iriam seguir para o depósito. Foram 50 caixas e mais de 20 sacos de 200 litros de lixo com coisas dentro. Tudo devidamente classificado e separado e mais, tudo inventariado. Mesmo não estando lá, ela sabia exatamente o conteúdo de cada caixa, caso quisesse buscar algo urgente ou importante. Então, no terceiro dia de trabalho, quando eu já havia direcionado tudo e as meninas seguiam sozinhas, eu aproveitei para começar o trabalho dos livros, sozinha, porque esse é um trabalho que pertence ao meu universo. Ainda não encontrei ninguém para seguir meu legado nessa arte, por enquanto. Bem, esse trabalho de catalogação levou quase cinco dias, porque primeiro obviamente tivemos que descer todos os livros e ir separando um a um de acordo com a classificação, e foi aí que descobrimos que atrás deles, tinham outros mais, muito mais. E quando acabou essa primeira parte, mais fácil e dinâmica por sinal, o lap top entrou em ação. E dentro do prazo certinho nasceu uma mudança encaixotada e uma biblioteca catalogada. Foi corrido viu, mas deu muito certo.

E assim finalizamos mais uma história de amor com a organização e com o objetivo sempre, sempre alcançado. Porque se não for assim, eu não entro na guerra. Na próxima postagem, mais uma historinha linda de uma mudança oposta, micra, pequenérrima, e de um AP charmosíssimo de 25 metros quadrados, onde nada poderia ficar fora do lugar. E não ficou! Em breve, muito em breve!

Boa semana e sorte minha gente!

beijos
Verônica Cavalcanti