Mãe e filha que moram em um apartamento de mais de 300 metros quadrados numa área nobre no RJ. Uma vida confortável sim, uma família com muitas histórias lindas de vida, história de empreendedorismo do avô (já amei né?), uma infinidade de roupas divididas em três quartos e mais um armário no corredor e cinco dias de intenso trabalho. Esse é o briefing desse trabalho que finalizou ontem.

Foram dias intensos. Muito trabalho, muita roupa, muito descarte mas muito bate papo, gargalhadas e comida boa. Os mimos que os clientes aprontam pra gente.

Todo esse trabalho foi ministrado no feriado de Tiradentes, sexta, sábado e domingo e mais o final de semana passado. Sempre fim de semana pois essa foi uma exigência das clientes que queriam estar juntas para participar do processo de descarte e ambas trabalham e muito durante a semana. Elas doaram muuuuuuitas coisas, sinceramente, eu perdi a conta. Acho que por baixo, uns 10 sacos de 200 litros de roupas e tecidos foram doados. Ainda assim, ficou muita coisa. Muita roupa distribuída em um closet e armários de vários espaços.Foram praticamente dois dias só descartando, o que não se queria mais. Nos demais dias, muita dobra e armários vazios, para limpeza e até colocação de remédio para cupim. Não, a gente não faz isso! Mas para elas, especificamente fizemos, porque eu estava com uma assistente que saca tudo do assunto e é uma exímia dona de casa, e ela mesma se prontificou a fazer. Só por isso e pra retribuir toda a delicadeza que nos foi dedicada durante o tempo que tivemos lá, do tipo, perguntar o que gostávamos de comer e ir pra cozinha junto com a empregada preparar deliciosos pratos. Sinceramente , isso não tem preço! Retribuir era o minimo. Sem contar que a harmonia e a sintonia entre as duas transbordava pra nós que éramos chamadas de “menininhas” o tempo todo! E a filha, carinhosamente chamada de “filhinha” com uma voz tão doce…ai, ai, confesso que bateu uma saudade da minha mãe antes da doença, mas enfim…

A segunda etapa, que veio no final de semana passado, já com cabides novos, escolhidos pela cliente diante das opções que oferecemos, foi a hora de montar os armários. Aff!!! Dois dias!! Dois dias inteiros em muito sobe e desce de escada para montar esses espaços. Muito cansativo, mas no meio, aliás, mais pro fim da tarde rolava sempre um almoço delicioso e a gente nem podia pensar em dizer não. A primeira vez que negamos um, uma bandeja recheada veio em nossa direção. E a hora do almoço, era a melhor! Hora de colocar o papo em dia, de rir, e de comer até cair porque mammys só ficava feliz se a gente comesse, rolou até uma cervejinha e vinho pra quem quisesse. E ainda tinha a sobremesa deliciosa. Dias incríveis vivemos nessa casa.Afeto que transbordava!

Penso que o descarte ocorreu de forma natural. Elas definiram tudo, fomos só conduzindo a história, mostrando as peças e fazendo mínimas observações quando era pertinente. Nada de perturbar a cabeça do cliente e pressionar para que doe mais e mais. Foi fluindo naturalmente e lindamente e o resultado foi impecável. E com as doações, teve lugar pra tudo confortavelmente, que é o mais importante, além de sobrar espaço e ter portas de armário vazias. Isso mesmo, vazias!

MORAL DA HISTÓRIA:
Nesse trabalho, tirei a maior das conclusões desses anos de trabalho. Na verdade o trabalho de Organizer é muito maior do que dobrar e pendurar roupas, aliás, dobrar bem dobradas. A dobra pra mim passou a ser secundária e quando eu comecei em residências oficialmente em 2004, ela era absoluta. Eu perdia horas e horas, dobrava e redobrava até ficar perfeita. Isso sem gabaritos ok? Hoje percebo que o valor que é dado ao meu trabalho está intimamente ligado ao prazer que eu proporciono ao meu cliente. Ao espaço novo, otimizado, com uma lógica que funcione para eles. Seja pendurando roupa de malha, de linha ou dobrando calça jeans, nós realizamos o desejo alheio sempre orientando para o melhor, mas com total consciência de que o nosso desejo pode não ser o mesmo do cliente. E se tem que ser bom, tem que ser bom principalmente pra quem mora na casa. Nada de imposições e induções. Nosso sucesso está no respeito aos sinais e a tudo o que ouvimos e observamos do nosso cliente e nas soluções espaciais com uma lógica personalizada que oferecemos e que podem ser perpetuadas por ele, sozinho, lindamente. Mas ainda assim te digo, existe a dependência emocional, ainda que ele siga sozinho, ele contrata o nosso serviço pela eficiência impressa quando o trabalho é feito em equipe, AO & cliente e pelo elo que se criou. E isso permite além da reincidência, um grau alto de indicações, e esse são os clientes que de fato vc irá fechar sem pestanejar, sem barganhar seu preço e mais, serão aqueles cliente que pagarão qq preço para ter vc na casa deles porque sabem o quanto vc vale. Ter uma caixa de e-mails cheia de pedidos de orçamentos pode ser tanta coisa, menos clientes em potencial. Isso, o boca a boca garante! Pense nisso!

Até a próxima…em breve, muito em breve!

Beijos e boa semana
Verônica Cavalcanti