Sem sombra de dúvida, esse foi o maior projeto e o mais desafiador ao longo de toda a carreira do Ateliê Ordenar, que começou embrionário em 1996 e depois se transformou na empresa que é nos dias de hoje.

Um hotel que estava fechado há pelo menos 20 anos. Idealizado por Niemeyer e com o paisagismo de Burle Marx, não preciso nem dizer muito o quão importante seria devolver esse hotel ao nosso RJ. Bem, curti muito seus porões onde ficavam uma boate em que eu vivi minha adolescência e assisti muitas apresentações e formaturas no seu Centro de Convenções. Era um luxo e me remetia a uma época onde eu fui muito feliz.

Quando fui convidada a participar desse projeto, não pensei duas vezes, ainda que tivesse noção da dimensão desse job e do tamanho do aborrecimento que seria independente da grana, da visibilidade que me daria. Quatrocentos e treze apartamentos distribuídos em trinta e quatro andares. Precisava de gente com pique, com energia e gás pois sei que esse tipo de trabalho exige muito fisicamente.
Bem, antes de falar em equipe, precisamos ir lá atrás. Precisava cumprir uma série de pré requisitos exigidos pelo HN (Hotel Nacional) e da Meliá, nossos contratantes, porque a minha parceira que nos indicou já estava lá dentro, precisando da gente e isso já havia há muito, sido adiado. Era pra ter começado em meados de 2016, mas efetivamente só nos foi dado sinal verde em outubro do mesmo ano. Enfim, deu certo e começamos com força total!

Entre as exigências, capacetes, botinas e uniformes e lá fui eu catar todo esse material e obviamente que, o AO prima por um padrão nada convencional. Não gosto do óbvio, de mesmices, sou desse jeito e mandei fazer uns adesivos vinílicos para personalizar o capacete já que não dava tempo de silkar. As blusas do uniforme eram novas, com layout novo e eram recém chegadas #fazemosmaravilhassim#. As botinas eram basiquinhas pretas, eram horrorosas e continuaram desta forma. Tem coisas que não dá pra melhorar.

Quando eu pensei em equipe, logo pensei em dar minha cota ao Brasil. Eu queria desempregados. Gente que precisava de fato de um job ainda que temporário. Não queria gente da minha área. Fato. Para supervisora da minha equipe escolhi uma grande amiga dos tempos da hotelaria que já tinha o expertise que eu julgava fundamental para esse trabalho. As duas assistentes que andariam junto com ela, vieram dos meus muitos contatos. Confesso que quem indicou elas pra mim me conhece profundamente, não tinha erro. Fiz uma breve entrevista pelo telefone mesmo, falei tudo o que tinha de ruim nesse trabalho me baseando nas experiências anteriores com esse mesmo perfil de trabalho no Copacabana Palace. Não poupei de nada. Falei das condições de trabalho e valores e ambas aceitaram na hora. Foi muito certeiro. A equipe foi redondinha. Fui alguns dias até que elas pudessem caminhar com as próprias pernas e da forma como eu julgava adequada, trabalhando sempre a importância da palavra equipe pra mim. Não admito equipe que briga, que se sabota, que perde a linha, pois o resultado é sempre desastroso. Eu consegui o que almejava, bem difícil na verdade quando os nervos estão à flor da pele, mas juntas conseguimos. E conseguimos tão lindamente que o trabalho se estendeu por mais 3 meses. Renovou em dezembro e fomos até março de 2017 e aí foi um novo desafio, minha amiga não continuaria como supervisora por questões pessoais, e dois dias depois eu teria que apresentar uma nova supervisora. Fácil quando se tem uma equipe comprometida. Quando se trabalha com gente séria. Resolvi promover uma das assistentes que tinha se destacado. Ainda que eu não estivesse lá, eu estava ciente de tudo, ou quase tudo obviamente. Abrimos um grupo nosso, só nosso no whatsaap onde nos comunicávamos diariamente e onde elas postavam fotos de tudo o que eu pedia e julgava importante pra gente se resguardar além de outras informações essenciais. Nossa comunicação não falhava. Assim, eu promovi uma assistente e fui à mesma “fonte” que me indicou essas meninas maravilhosas, pedir a indicação de uma terceira assistente. O mesmo procedimento. Entrevistei pelo telefone num domingo pra que no dia seguinte ela começasse. Me veio uma bebê! Rs Uma menina no alto dos seu vinte e pouquinhos anos mas determinada, objetiva e com um Q de geniosa. Gosto disso! Gosto de gente de voz vibrante, ousada, arrojada. Não tive boas experiências com gente boazinha, educadinha, fofinha e de fala mansa. O que pensos sobre esse perfil de gente, é impublicável aqui. Gosto de gente que disse ao que veio e essa terceira assistente, se enquadrou em uma semana no esquema. Mais um bingo!

Em paralelo a isso, rolavam os muitos trabalhos fora, nos clientes, tanto os mensalistas, anuais como os que chegam diariamente através das mídias sociais, site e principalmente indicações. Foi uma gincana viu? Equacionar tudo isso não foi fácil não. Tive que me organizar profundamente com equipe e com os imprevistos que acontecem, fato! E como eu conto com 8 meninas do AO eu consegui a muito custo solucionar tudo o que ia acontecendo, dentro e fora, mas graças aos coringas que tenho sempre e a um relacionamento de muita transparência com minhas colaboradoras, não faltou quem me auxiliasse nos imprevistos.

Enfim, tudo isso pra dizer que foram seis meses onde vagamos pelo subsolo daquele hotel organizando depósitos com milhares e milhares de roupas de cama, banho, louças, móveis, objetos e por aí vai, até a cobertura com seu mega restaurante com vista panorâmica. Montamos apartamentos, coordenamos uma equipe de até 16 carregadores que nos ajudaram na montagem do layout dos apartamentos e na distribuição de tudo o que saia dos depósitos para os quartos. Além dos recebimentos de tudo o que foi comprado e na entrega e montagem pelos fornecedores. Uma loucura! Uma deliciosa loucura que entrou pro nosso livro dos recordes pessoais e que nos rendeu fotos lindas como essas, pinçadas uma a uma do nosso acervo. Espia aí!

Bem, foram no barato mais de dez mil fotos tiradas, fiz uma triagem do filé do filé só pra dar um gostinho, o resto deixo por conta do imaginário de quem ler esse post ou na vivência de quem irá frequentar esse novo hotel. Mas pra mim, a foto que mais diz tudo é essa aí. A equipe que finalizou comigo essa empreitada, apenas essas três, faltando as minhas coringas e Renata minha amiga, que começou tudo lá em outubro. O que teria sido de mim sem vcs hein? Gratidão que nunca conseguirei pagar e que não cabe no peito. Nos veremos em outros… em breve… um dia! Obrigada amorecas!

Boa semana minha gente e por mais projetos desafiadores e deliciosos como esses em nossas vidas. São eles que nos impulsionam pra frente, sempre, acreditem!
Beijos da menina do AO

Verônica Cavalcanti

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