Eu paguei a língua! Paguei e bem pago! Sem troco!
Uma pessoa desesperada pediu uma indicação de uma Personal Organizer (aí como resisto à essa nomeclatura!) num site do meu bairro. Vou explicar.
Sabe aqueles jornais de bairro de antigamente, digo 10 anos atrás? Pois é, aqui no meu bairro e adjacências, tem um grupo de mães e pais numa rede social. Várias amigas minhas estão lá, pedindo e vendendo seus produtos e serviços. Eu, como não sou muito antenada nessas coisas, uma delas me convidou e resolvi entrar e pagar pra ver.
Durante duas semanas, publiquei dois anúncios, mesmo que à revelia, pois conheço bem onde está o meu público, ou o público que mais gosto de trabalhar. Enfim, nada aconteceu. Continuei na minha ralação diária, agenda, ora cheia, ora mais tranquila, mas com trabalhos contínuos, navegando sempre em meio à crise desse país, mas fazendo o que amo, sempre! Parada nunca! Até que, num desses raros dias de folga – eu já havia esquecido de publicar anúncios locais – essa cliente publicou um pedido de uma profissional da área que não fosse uma “fortuna”. Li. Registrei. Pensei: o que será uma “fortuna” pra ela? Entendi que era uma mudança pelo que descrevia no post dela. Vc sai para curtir o restinho das Olimpíadas, sua mudança chega. Vc continua curtindo e trabalhando e tem uma equipe cuidando da sua casa, dos brinquedos e das roupas dos seus filhos, dos seus livros, do seu armário, cozinha, área de serviço e banheiro. Vc chega e tá lá, tudo lindo e organizado. Pensei sim, o que ela chamaria de “fortuna”? Não me manifestei! Li e fiquei muda. Como é um grupo fechado e local, não houve muitas indicações, somente de uma Organizer de SP, acreditem se quiser. Nada contra Sampa ok? Essa Organizer tá sempre trabalhando, fazendo coisas lindas e seu trabalho salta aos olhos. Uma pessoa nova no mercado, que tem um trabalho lindo de morrer, merece aparecer, merece e tem indicação Brasil afora!
Voltando. Não me manifestei. Uma única publicação, indicava a paulista poderosa. Embaixo dela, uma amiga, moradora do bairro e que conhece bem meu trabalho, me indicou. Pensei “Putz, vou ter que me manifestar agora!”. Fui lá, e em respeito à amiga que me indicou mas com baixíssima expectativa, respondi publicando o link do meu site e uma frase. Nada demais. Ela entrou no site e trinta minutos depois me mandou um whatsap. Nossa negociação durou um ou dois dias, não mais do que isso. Ela me mandou fotos pelo aplicativo. Eu, com a agenda lotada, crianças de férias etc e tal, não tinha como fazer uma avaliação “in loco”, até porque, a maior parte das coisas já haviam sido encaixotadas. Rolou fotinha pelo whatsap mesmo. Podem me matar!! Me matem, mas não façam isso ok? O risco é imenso, mas minha sinceridade maior ainda, e quem me conhece sabe que num gosto de mentir não. Falo na lata!
Bem, mesmo pra mim que tenho anos de mercado e já conheço algumas armadilhas e perfis de clientes é um risco fechar orçamento por aplicativo, mas ela me solicitava com certa urgência. Ela estava se mudando dois dias depois, queria um orçamento pra “ontem” para se organizar e precisávamos fechar datas pois tanto ela, quanto eu, estávamos com a agenda complicadinha. Mandei o orçamento baseado nas fotos. Muita bagunça em pouco espaço, mas como ela ia para um apartamento maior, isso me daria uma margem de segurança. Enfim, o orçamento foi aprovado, com um pedido mínimo de desconto que já concedo em algumas circunstâncias. Nada demais! Valeu!

Ela esperou o prazo que combinamos e a finalização de dois trabalhos em andamento. Ainda aguentou por uma semana com algumas muitas caixas fechadas, até que pudéssemos entrar no AP e começar a trabalhar. E fomos!

Vista mar! Uma avenida linda da enseada de Botafogo com Pão de Açúcar de “carão” pra gente. Vista para o veleiro Norueguês que estava aqui no período das Olimpíadas e chave do apartamento na mão. Ela delegou totalmente e com as crianças na casa do pai, pudemos alavancar a organização começando pelo quarto dos pequenos, pela cozinha e área de serviço. Euzinha, estava finalizando um trabalho anterior. Não podia me ausentar. Ela contava com aquilo. Então, levei minha equipe pra lá. Traçamos nosso planejamento juntamente com a cliente, e fui atender outra. Num feriado no RJ. Faz parte!
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No quarto das crianças, oito caixas de brinquedos e mais umas seis de roupa que já haviam sido abertas anteriormente pela empregada da cliente, aguardavam organização. Como disse, pelas fotos eu já via um ambiente caótico e “batia” exatamente com o que ela mesma falava. Muitos brinquedos, algumas cestas denotando um forte desejo de organizar, mas nenhuma lógica mais. Se é que houve alguma. Tudo muito misturado e como é um casal de filhos, com diferença de dois anos, pedaços de brinquedos de menino misturado com de menina. Uma confusão danada!
E brinquedos é o meu setor. O que não consigo resolver, o Google me dá uma forcinha! Rs Para o quarto das crianças, dedicamos dois dias intensos e mais uma “metadezinha” de outro pra ajudar o “faz tudo” a prender nichos, livreiros, cabideiro no quarto deles, acessórios que eu não poderia dispensar durante o processo. Enquanto isso a cliente fazia o dever de casa lindamente. Tudo o que foi solicitado, ela comprou! Ia trabalhar e na volta, trazia tudo. Feriado, e ela catando loja aberta pra comprar cestos e demais recursos. Foi uma dobradinha maravilhosa! O resultado só poderia ser esse aí:
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A cozinha e a área foram feitas em um único dia. Casal recém separado, aí sabe como é né? Louças divididas e pouca coisa. Rapidamente tudo resolvido e sem fotinhas. Esqueci de tirar. Enquanto uma fazia as roupas das crianças e o banheiro, a outra se dedicava exclusivamente a esses espaços. Tudo concluído num único dia!

O quarto dela foi complicado. Bons armários, mas antigos. Gavetas minúsculas e muita roupa. Ainda bem que tudo era dela, não tinha marido pra dividir, ainda assim, como veio tudo muito bagunçado, foi demorado o processo. Várias necessaires e bolsinhas com coisas dentro. Mala pronta e que não era da mudança, isso eu tenho certeza. Sei lá há quanto tempo ela estava pronta. Bagunça, e muita roupa em um único cabide. Esse era o menu do dia. Levamos dois dias nesse quarto, com dedicação exclusiva.

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Por último, um misto de biblioteca com home office e quarto de hóspede. Foi o que deu mais trabalho porque eu dependia exclusivamente do “faz tudo” que estava montando a estante. E o ritmo dele, era muito diferente do meu. Sem contar que, como a estante veio emprestada, quem emprestou esqueceu partes dela pra trás. E isso me deu uma agonia, porque eu não tinha muito o que fazer, estava condicionada ao fim do trabalho dele. Todos os livros já estavam separados. CDs e vinis já haviam sido retirados das caixas. Só esperando a tal da estante. Bem, depois de esperar um dia pela montagem, entre idas e vindas, ela ficou pronta no melhor dos sentidos e sobrou espaço viu? Fiz a parte de baixo inteira para as crianças, com os livrinhos delas e muitas revistas com atividades. Um cantinho dedicado a elas no espaço da mamãe.

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E foi assim que paguei a língua mais bem paga e com o melhor dos resultados. Não pensando que, por ter muitos anos nesse mercado, estarei isenta de cometer erros. Que me venham erros novos, porque com esse vacilo, ainda que tenha dado certo, eu aprendi. Mais uma mudança finalizada eM quatro dias intensos. Mais uma cliente feliz. Quer ver o feedback dela? Precisa de mais?
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Em breve, posts sobre trabalhos lindos que estão em andamento. Um arquivo e a catalogação de livros mais longa da minha vida e a organização da rouparia do Copacabana Palace. Que tal? Na íntegra, no blog, em breve!

beijos da menina do AO
Verônica

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