Me lembro ainda muito pequena, no banco de trás do carro olhar sempre para o alto e ficar observando a decoração da casa alheia. Adorava mesmo, lembro de fazer isso ainda com cinco ou seis anos. E no Natal então, amava mais ainda, ver as árvores e a decoração dos outros. Uma paixão! Cresci acompanhando o bom gosto do meu pai, que sempre gostou de decorar a casa, e nunca delegou isso pra minha mãe que afinal de contas, não entendia nem curtia nada desse assunto. Lembro de lá pelos meus 10 ou 12 anos ficar sentada na sala folheando as Casa Claudia que meu pai que naquela época já colecionava, e acho que a genética me deu isso de presente. Um presente chamado “gosto pra decoração”. Amo casa, ficar em casa, curtir minha casa e me choca ir na casa das pessoas e ver que poucos se ligam nisso, ou porque trabalham muito e não tem tempo pra isso, ou porque priorizam outras coisas. Casas com potencial, enormes, e maltratadas, algumas em ruínas, mas enfim, cada um prioriza o que mais curte, certo? Bem, quando tinha 25 anos fui morar sozinha pela primeira vez, tinha terminado um namoro longo e não queria mais brincar de casinha. Alcei vôo! Meu primeiro AP era do meu avô e ele me emprestara para viver essa primeira experiência. Foi bom demais, e ali percebi minha vocação para decoração. Comprei móveis usados, fiz uma mesa com tijolos e vidros, comprei sofá numa loja “furreca” e fiz da minha casa um reino, onde todos que visitavam ficavam encantados com o que eu tinha feito, e como disse um falecido amigo meu naquela ocasião…”essa casa vicia”.

De lá fui para os EUA (um outro capítulo da minha vida, os seis meses fora nos EUA), depois voltei, aluguei um AP no Flamengo, no Arpoador e por onde passava deixava meu rastro, fazia milagre e minha casa se transformava num verdadeiro showroom.

Mas essa minha casa atual é a realização de um sonho de toda uma vida. Quando eu morava ainda no Arpoador, comecei a imaginar uma casa própria, e comprar uma, parecia e era inatingível. Aí, conversando com meu pai que a esta altura já morava na casa que fora dos meus avós, lançou a ideia de construir um LOFT (sim, o projeto inicial era de um LOFT) no que era o sótão da casa. Isso tudo foi em 2002 por aí. Enfim, a vida mudou, engravidei, de gêmeos, vivi essa experiência toda sozinha pois o pai deles não ficou ao meu lado, me mudei, voltei a morar com meus pais, não deu certo obviamente. resumidamente. Aluguei um AP de 25 metros quadrados e fui morar sozinha com as crianças, isso quando eles ainda tinham cinco meses e vivi nesse AP até eles completarem 7 anos. Foi uma luta! Confesso, dias tristes, não via “luz no fim do túnel”, eles crescendo e o AP que já era pequeno, encolhendo. Então, meu pai tocou no assunto de novo e fomos à luta! Fiz o projeto com uma amiga arquiteta, e aos poucos fomos levantando a casa, de acordo com nossas possibilidades e há exatos 9 meses (uma gestação) a casa ficou pronta, linda como ela só! E foi a hora de usar meu dom maior, a organização, para fazer caber tudo, aproveitando o máximo os móveis herdados e fazer a casa dos meus sonhos acontecer. Deu muito certo! O resultado, vejo hj na revista Decorar Mais Por Menos edição de junho que já está nas bancas e traz ela, a minha casinha, todinha, fotos impecáveis clicadas pelo Sambacine e com textos da minha querida Simone Raitzik, uma das minhas fadas madrinhas.Legendas? Auto explicativas, não preciso descrever mais nada aqui. Já li, reli, li de novo, mas digo, me belisca, isso é verdade??

A primeira página, faltou meu Dani, tava com crise existencial no dia.

Minha cozinha americana. Um sonho realizado!

Detalhes dos meus móveis herdados e devidamente repaginados!

Duas páginas inteiras só pro meu quartinho!

O reino do meu Dani!

O palácio da minha Alice!

bjks, hj, excepcionalmente minhas!
Verônica

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